Meu contato com a leitura se deu
antes de aprender a ler e escrever, mais precisamente antes de entrar no “pré-primário”.
Gostava muito de gibis e meus vizinhos tinham vários que ganhavam das patroas
de suas mães. Eu gostava muito dos gibis da Turma da Mônica, observava as
figuras e ia imaginando a história, quando alguém se aproximava e perguntava se
eu sabia ler eu dizia que sim e começava a recitar minhas histórias foleando o
gibi como se estivesse lendo, alguns acreditavam ou fingiam que acreditavam para
não perder a amiga, outros riam sabendo que eu estava só inventando. Quando
finalmente fui alfabetiza entre seis e sete anos de idade, lia tudo que via
pela frente, até um jornal que meu pai comprava todos os dias para os seus
fregueses do bar lerem enquanto tomavam um “mé”
que se chamava “Noticias Populares”.
Era um jornal grotesco, lembro que os fregueses comentavam que se torcessem o jornal sairia sangue. Para
mim não importava eu queria era mostrar para o pessoal da rua que eu sabia ler
muito bem. Ao entrar na primeira série
primária era uma das melhores alunas, pois já sabia ler e escrever.
Nas
séries iniciais da escola eu era uma criança bastante falante, várias vezes
fiquei de castigo por falar demais ou
por estar escrevendo cartinhas, bilhetinhos em hora inoportuna. Com o passar dos anos não sei o que aconteceu me tornei uma pessoa bastante
retraída, me refugiava nas leituras. Na minha casa tinha uma coleção de
enciclopédia, dicionários onde eu fazia minhas pesquisas escolares e um livro sobre
profissões. Também era frequentadora da biblioteca e apesar se ser leitora, não
conseguia escrever tinha muita dificuldade em me expressar, odiava fazer
redação, houve uma vez em que tirei A em
uma redação cujo tema era a Árvore, não lembro exatamente o que escrevi, mas
lembro-me que no final da redação fiz uma citação de um verso que eu tinha lido em uma enciclopédia de casa,
que dizia assim: A se árvore falasse
diria por certo assim, criança sou tua amiga peço que zeles por mim! Nossa
nunca mais esqueci isso, a redação eu guardei durante anos, pois foi o único A
que tirei em redação na minha vida.
Quando
estava terminando a oitava série, precisa decidir que curso fazer, não queria
fazer ensino médio porque não sonhava em
fazer faculdade, arrumar um emprego
legal já era um sonho, a maioria dos
meus colegas ou paravam de estudar ou faziam curso técnico ou optam pelo
magistério. O que me ajudou a decidir foi o tal livro de profissões que havia
na estante de casa onde eu encontrei a descrição da profissão de Contador a
qual me julguei de acordo como o perfil
descrito pelo autor, tinha quatorze anos, mas foi através deste livro que
resolvi fazer o curso de Técnico em Contabilidade, área em que eu trabalho até
hoje.
Sempre
digo que aprendi a escrever na faculdade, pois fui obrigada a perder o medo de
escrever de expor minhas ideias, ainda preciso aprender muito, mas sei que
evolui bastante. Só após terminar a faculdade é que resolvi dar aulas, pois
queria perder o medo de me expor também, por que na empresa onde trabalho como
contadora tinha que permanecer compenetrada,
a minha função era e é apresentar os resultados, sem conversar muito.
Como
professora pude me soltar me desraigar de medos que me impediam de interagir
com outras pessoas. Hoje me sinto mais segura ao falar, ao escrever e ao lidar com meus alunos, mas no início não
foi fácil, tive que estudar muito, perdi muita noite de sono, por várias vezes
pensei em desistir, mas estou aqui. Continuo estudando e procurando fazer o
melhor pelos meus e para os meus queridos alunos, pois quero crer que todo
sacrifício vale a pena se tem por objetivo, tirar alguém das trevas da
ignorância, e trazê-lo para luz da sabedoria.
Edna da Conceição Dimas
Professora de Matemática da rede estadual de ensino
Durante a minha juventude eu gostava de ler romances como Sabrina , Júlia , e outros, comprava e trocava. Até que um dia escrevi para a editora,
depois de alguns dias recebi pelo correio o exemplar das primeiras edições
encadernado. Isso me motivou a quer ler mais.
Na faculdade a qual estudei, todo ano tinha um festival de
musica chamado FEMPOSEC e no meu primeiro ano em mais ou menos deixa pra lá,
nossa turma se inscreveu. Um grupo se empenhou em escrever a letra da musica, e
o outro com a melodia, depois deram para lermos e dar nossa opinião, e depois decidia
qual seria cantada. Para mim isso foi muito importante, ao ler e da minha
opinião sincera me aproximou dos meus colegas de classe.
O reforço de português de ajudado muito os alunos aqui na
escola a ler e tenho apoiado.
E vocês sabem muito bem que aluno que não sabe lê quer
chamar atenção o tempo todo. Bom eu estava numa quinta série e após ter
conseguido a duras penas o silêncio da sala, certo aluno se aproxima de mim e
diz : Professora arruma minha pulseira, por favor ? Confesso minha vontade
sinceramente foi de mandar sentar, mais veio um pensamento é melhor evitar a
fadiga e decidi arrumar a pulseira e fiquei observando. Nesse momento o menino
me surpreendeu, com essa palavra ao
rodar a pulseira ele disse : Professora eu já sei lê , olha o que está escrito
na minha pulseira AMO A MINHA FAMILIA .
Maria da Guia Barbosa de Miranda
Professora de Matemática da rede estadual de ensino
Meu primeiro contato com
leitura foi em rodas de história, quando a lua estava cheia a noite
ficava clara como um dia , então sentávamos na calçada para ouvirmos história
contada pelos meus avós e pelo meu pai, segundo eles, chamavam de história de trancoso, todos nós fazíamos silêncio
para ouvir as histórias, eu por exemplo, viajava junto com eles, eles nos
envolviam de tal maneira que sempre não ficava em uma só historia, tem história
que até contei para o meu filho, porque ficou gravada na memória.
Já a
escrita, comecei a conhecer as primeiras letras na casa de uma senhora Maria de
Jesus, lembro que tinha uma mesa grande e uns bancos de madeira ao redor e
todas as crianças sentavam ali para aprender as primeiras letras, meu contato
com escola foi em 1976, aos 8 anos, como morávamos na roça, meu pai não tinha
casa na cidade, mas mesmo assim decidiu me colocar para estudar na casa de um
parente, minha primeira escola lembro até hoje, ali tive contato com outras
pessoas, conheci a cartilha e aprendi a ler os primeiros textos. Se não me
falha a memória eu li uns 150 livros de “faroest” , uns 50 romances
de “Júlia e Bianca”, isso na minha adolescência, estes foram os meus primeiros
contatos com história escrita
Adoro ler
qualquer assunto, desde que me interesse, mas adoro em particular uma escritora
infanto-juvenil: Giselda Laporta, adoro a maneira como ela expõe um assunto
muito polêmico de forma simples, como por exemplo,” Espelho Maldito” que trata
da Anorexia, que ao lermos nos faz viajar
e aprimorar nossos conhecimentos, levando-os ao envolvimento, bem como lidar com o problema. Um livro que
li e que adorei também foi “Quem mexeu
em meu queijo” mas, para quem quer iniciar no mundo da leitura, eu recomendo o
livro “ A ILHA PERDIDA” é maravilhoso. Um dia pretendo escrever a minha
trajetória de estudante e confesso que até hoje sou grata ao que aprendi e
tento transformar este pouco para os demais, creio que sou ótima contadora de
história. Abraço, colegas espero que entendam meu depoimento.
Valeria de Almeida Carvalho
Professora de Matemática da rede estadual de ensino
A leitura pra mim é um dos processos mais importantes na
vida de uma pessoa, lembro que quando comecei a ter contato com a leitura,
conhecer as letras, as sílabas, quando saia com a minha mãe, queria reconhecer
as letras e fazer a leitura mas não dava tempo, pois tinha que juntar as letras
para elas formarem as sílabas até chegar nas palavras... era muita coisa e
pouco tempo para fazer isso, portanto quando chegava na segunda sílaba já tinha
passado... mas não desistia. Hoje vejo uma das minhas filhas, Bianca de 4 anos
começando esse processo de leitura e escrita, mostrando as letras que já
conhece em todos lugares que ela encontra e escrevendo as que já consegue a
todo momento, fico muito feliz, pois sei que é por esse caminho que ela vai ter
o mais importante instrumento para dar seguimento a tudo na sua vida.